1987

Natural do Rio de Janeiro, Carlos Alberto de Souza Pinto, conhecido como Carlão, chegou a Londrina em 1987 trazendo uma trajetória familiar ligada às bancas de jornal e à distribuição de revistas. A família manteve, por um período, outra banca no Calçadão e também uma distribuidora na rua Mato Grosso.
Na cidade, sua primeira atividade foi ajudar o tio em uma banca instalada na antiga rodoviária de Londrina. Torcedor do Flamengo, assumiu a Banca Rodeio, de propriedade da família, em 1992 e permaneceu à frente do negócio por cerca de três décadas. Sua presença diária moldou tanto o funcionamento da banca quanto a relação com quem passava por ali.
Carlão conhecia clientes pelo nome, acompanhava preferências de leitura e mantinha uma rotina de encomendas e indicações. Frequentadores contam que o atendimento era marcado por proximidade e constância. A abertura e o fechamento diários, quase sem interrupções, reforçavam a ideia de continuidade, em um ponto fixo dentro de uma cidade em transformação.
Ele também teve papel de resistência durante a reforma do Calçadão, quando os quiosques foram retirados do espaço. Permaneceu no local ao sustentar que a Banca Rodeio estava situada em área privada, dentro dos limites do prédio, e por isso não poderia ser removida.
Mesmo em um contexto de queda no consumo de impressos, a banca manteve sua relevância a partir dessa relação direta com o público. Carlos Alberto acreditava que havia mercado para todos e que o seu lugar estava garantido. Viveu a banca como trabalho e modo de vida, atravessando a pandemia, a queda nas vendas e o impacto crescente das mídias digitais e da internet sobre o ramo de atividade.
Carlão faleceu em janeiro de 2022, aos 52 anos. A Banca Rodeio continuou funcionando, passando a ser conduzida por Samanta Bonavigo. A permanência do espaço e de seu modo de operação indica um legado que não está apenas no comércio, mas na forma de se relacionar com a cidade.
Fontes: Folha de Londrina, “Morre Carlos Alberto, o proprietário da Banca Rodeio”, Vitor Ogawa / Foto: Marcos Zanutto, Folha de Londrina / Acervo Londrina Histórica.
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