Semiramis e a dimensão social da cidade nova

1980


O Semiramis fez parte de uma transformação urbana que não dizia respeito apenas à construção de casas, mas à redefinição do mapa cotidiano da cidade. Com 871 unidades habitacionais, casas de 34,36 metros quadrados em média, início das obras em 30 de janeiro de 1978 e entrega em 12 de junho de 1980, o Conjunto Habitacional Semiramis de Barros Braga, executado pela Simamura e projetado para uma população estimada em 2.613 habitantes, foi mais um dos conjuntos habitacionais que fizeram parte do núcleo original que passou a ser conhecido como “Cinco Conjuntos”.

A escolha do nome revela uma camada menos comentada desse processo. Semiramis de Barros Braga foi mãe do ex-governador Ney Braga, filha de família tradicional curitibana e, segundo informações disponíveis no site da Cohab Londrina, desenvolveu trabalho relevante na área da filantropia e da assistência social. Em meio a um conjunto de bairros batizados majoritariamente com nomes masculinos ligados à engenharia, à política ou à administração, a presença de Semiramis introduz outro campo de homenagem: o da mulher e do cuidado.

Esse detalhe não é secundário. A expansão dos Cinco Conjuntos não foi apenas um episódio de engenharia urbana ou de financiamento habitacional. Ela também alterou a forma como milhares de famílias se inseriram na cidade. Na matéria “Quarenta anos em cinco”, publicada pela Folha de Londrina em 13 de novembro de 2018, o engenheiro Luiz Sípoli lembrava que os conjuntos foram entregues com centro comunitário, cancha e escola municipal. Havia também praças previstas em projeto. Ainda que a infraestrutura tenha chegado de maneira desigual, o desenho original já sugeria a tentativa de organizar núcleos de vida coletiva, e não apenas fileiras de casas.

O Semiramis pode ser lido justamente por essa chave. Seu nome aproxima a história da habitação popular de um repertório de assistência social, enquanto sua implantação integra um processo urbano de escala muito maior. Ele pertence a um momento em que Londrina crescia para o norte não só pela necessidade de alojar população, mas também pela criação de novas rotinas de convivência, vizinhança e permanência.

Com o passar do tempo, o nome longo foi sendo abreviado na fala cotidiana, como costuma acontecer com muitos bairros. Mas a homenagem permaneceu. No caso do Semiramis, ela preserva a memória de que a cidade também se faz por meio de redes de amparo, de filantropia e de trabalho social, ainda que, no espaço urbano, isso apareça sob a forma concreta de ruas, casas e quadras.

A foto mostra ainda em construção um dos primeiros conjuntos habitacionais da região norte. 

Fontes: Cohab Londrina / Ogawa, Vitor. “Quarenta anos em cinco”. Folha de Londrina, 13 nov. 2018 / Acervo Londrina Histórica.

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