1950

O anúncio é um retrato do imaginário urbano de seu tempo. Londrina ainda era vendida como “cidade das grandes oportunidades”. Flores, carro, casal elegante e casas bem implantadas emolduram a promessa: “traça-se agora o magnífico bairro residencial Jardim Shangri-lá”. Mais do que um loteamento, o novo bairro era apresentado como forma de vida, como extensão da própria ideia de progresso que Londrina queria encarnar nos anos 1950.
Esse detalhe importa porque o Shangri-lá ocupou lugar particular na expansão da cidade. O bairro foi desenhado pelo arquiteto paulista Leo Ribeiro de Moraes e se tornou o primeiro loteamento aprovado sob a Lei 133/51 de Zoneamento e Arruamento de Londrina, elaborada por Prestes Maia. Sua implantação em área alta, com água abundante, ruas sinuosas, cruzamentos mais espaçados, praças e arborização dialogava com a tradição das garden cities e dos garden suburbs, conceitos importados da Inglaterra. O anúncio, portanto, não inventava do nada um discurso de distinção residencial: ele traduzia em linguagem publicitária um projeto urbano que se queria moderno, planejado e desejável.
Isso se expressa na maneira como a propaganda funde natureza e cidade. As flores enquadram a cena, enquanto o desenho das residências sugere conforto, ordem e afastamento do centro mais compacto. Não é um bairro vendido pela urgência do comércio ou da circulação intensa, mas pela promessa de qualidade residencial. O anúncio do Shangri-lá parece antecipar um bairro pensado para representar status, calma e urbanidade refinada.
Com o tempo, o Shangri-lá deixou de ser apenas promessa e passou a integrar de forma concreta a paisagem londrinense. Em 1954, o bairro recebeu o prédio que viria tornar-se o espaço do Mercado Municipal Shangri-lá, e lugar que sediou uma prévia da futura exposição agropecuária da cidade.
Fontes: Acervo Folha de Londrina / Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss / Acervo Londrina Histórica.
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