Quando a literatura começou a contar Londrina

Quando a literatura começou a contar Londrina

1970


Toda cidade é feita de ruas, edifícios e praças. Mas algumas também passam a existir nas páginas dos livros. Em Londrina, esse movimento teve um capítulo especial a partir da década de 1970, quando escritores locais passaram a transformar o cotidiano da cidade em matéria-prima para a literatura.

No depoimento concedido à Biblioteca Pública do Paraná, Nilson Monteiro observa que Londrina oferecia muito mais do que cenário. A cidade fornecia personagens, conflitos, transformações sociais e um ritmo próprio de crescimento que despertava o interesse de quem escrevia. Era uma cidade jovem, formada por migrantes de diferentes origens, onde novas histórias surgiam diariamente.

Essa característica fazia com que a literatura produzida em Londrina dialogasse diretamente com a experiência urbana. Os textos registravam mudanças na paisagem, modos de vida, encontros e tensões de uma cidade que ainda construía sua identidade. A memória deixava de existir apenas nos documentos oficiais e passava a ser preservada também pela ficção, pela crônica e pelo conto. E, a Folha de Londrina foi um dos principais ambientes de criação e de difusão dessa produção, na época. 

Ao recordar aquele período, Nilson Monteiro mostra que escrever sobre Londrina significava, em certa medida, compreender a própria cidade. A literatura ajudava a organizar lembranças, interpretar acontecimentos e dar permanência a experiências que poderiam desaparecer com o tempo.

Essa relação permanece atual. Muitos dos livros produzidos por escritores londrinenses continuam sendo uma forma de conhecer a história local por outro caminho: não apenas pelos fatos, mas pelos sentimentos, pelas percepções e pelas narrativas construídas a partir da vida cotidiana.

Fontes: Revista da Academia Paranaense de Letras (2016) / Acervo Londrina Histórica.

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