As parteiras e os primeiros nascimentos de Londrina

As parteiras e os primeiros nascimentos de Londrina

1930




Muito antes de Londrina contar com maternidades estruturadas e serviços obstétricos mais regulares, muitos nascimentos aconteciam em casa, com o apoio de parteiras. O Documenta 3, publicação editada pelo Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss, dedica atenção a essas mulheres, chamadas durante muito tempo de “curiosas” e hoje reconhecidas como parteiras tradicionais.

A parteira leiga exercia a assistência ao parto natural a partir de saberes empíricos, transmitidos pela prática e reconhecidos pela comunidade. Em geral, atuava em lugares distantes dos recursos médicos, especialmente em áreas rurais ou nas bordas de uma cidade ainda em formação. Nessas situações, a solidariedade entre vizinhos e parentes era fundamental para a sobrevivência das famílias.

O próprio Documenta lembra que, nos primeiros tempos de Londrina, muitos atendimentos obstétricos eram realizados por parteiras. Os médicos só eram chamados em situações mais difíceis, e havia relutância de algumas parteiras em solicitar ajuda para não serem vistas como incapazes de “dar conta” do parto.

A fotografia de Maria Shimiyo Tan, apontada como a primeira parteira do Norte do Paraná, dá rosto a essa história. Sentada, simples, sem aparato institucional ao redor, ela representa uma forma de cuidado que antecede a consolidação dos hospitais e maternidades.

Ao lado dessa imagem, a balança usada pelo pediatra Dr. Afonso Nacle Haikal lembra outra etapa do cuidado infantil: o acompanhamento das crianças após o nascimento. Entre a parteira e o pediatra, entre a casa e o consultório, estava a trajetória de uma cidade que aos poucos organizava sua rede de assistência.

Recordar as parteiras é reconhecer que a história da saúde também foi construída por mulheres muitas vezes anônimas, responsáveis por ajudar a trazer ao mundo as primeiras gerações de londrinenses.

Fontes: Revista Londrina Documenta n. 3, do Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss / Acervo Londrina Histórica.

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