1943

Em 7 de setembro de 1943, a então Praça Marechal Floriano Peixoto ganhou um novo elemento no centro de seu desenho: um mastro destinado ao hasteamento da Bandeira Nacional, erguido sobre uma base conhecida como Altar da Pátria. A data não foi casual. A inauguração ocorreu no Dia da Independência e integrou uma fase em que a praça era usada para cerimônias cívicas e encontros públicos.
A estrutura foi concebida para ser mais do que suporte para uma bandeira. O inventário municipal de monumentos registra que o conjunto representava o “altar da pátria” e o patriotismo da população londrinense. A base foi feita com pedras de diabásio retiradas do leito do Ribeirão Jacutinga pelo marmorista Lauro Jorge Tramontini. Nela foi fixada uma placa de bronze com a inscrição: “Ao civismo do povo de Londrina, homenagem da Prefeitura Municipal. 7 de Setembro de 1943.”
A praça havia sido remodelada naquele mesmo ano. O novo desenho incorporou jardins, bancos, caminhos e o conjunto cívico central. Com o tempo, porém, o nome oficial (Praça Marechal Floriano Peixoto) passou a dividir espaço com outro, criado pelo uso cotidiano: Praça da Bandeira. O próprio inventário municipal reconhece que o mastro se tornou formador de identidade local justamente por ter ajudado a fixar esse nome popular.
Há ainda uma camada interessante nessa história. Durante muito tempo, o desenho dos caminhos da praça foi associado à bandeira britânica. Pesquisas posteriores de Humberto Yamaki mostraram que esse traçado em forma de asterisco ou de cruzes sobrepostas tem uma história mais complexa e não deve ser explicado apenas por uma suposta homenagem direta aos ingleses. O que permaneceu, no entanto, foi o nome que a população escolheu.
Mais de oito décadas depois, o mastro continua no centro da praça. Mais do que um vestígio de cerimônias cívicas de outro tempo, ele mostra como um único elemento urbano pode alterar a maneira como uma cidade reconhece e nomeia seus próprios lugares.
Fontes: Inventário de Monumentos da Diretoria de Patrimônio Histórico-Cultural de Londrina / Acervo Folha de Londrina / Foto: Vivia Honorato Secon / Acervo Londrina Histórica.
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