1980

A fotografia da sede campestre do Grêmio Literário e Recreativo Londrinense (GLRL) aponta primeiro para o espaço: área aberta, equipamentos de lazer e esporte, e a ideia de clube como território. Esse imóvel nasceu como expansão de um Grêmio que, por décadas, teve no centro de Londrina sua vitrine social e cultural, com sede na alameda Manoel Ribas e uma arquitetura moderna associada aos anos 1950.
A virada começou a se consolidar por volta de 1980, quando foram inauguradas obras na sede campestre. Piscinas, churrasqueiras e estruturas de apoio como vestiários fizeram parte de um esforço de oferecer mais benefícios aos associados. A sede campestre ficava na rua Grafita, no jardim Ideal, zona leste, e foi se tornando um polo de convivência esportiva e familiar.
O tamanho do conjunto ajuda a explicar a ambição. A área era da ordem de 192 mil m² e reunia uma infraestrutura típica dos clubes de grande porte: ginásio, quadras poliesportivas, lanchonete, alojamento, sala de ginástica, salão de festas, campos de futebol, quadras de tênis, piscinas, lago artificial e áreas de churrasqueira, entre outros equipamentos.
Nos anos 1990, o Grêmio ainda operava com base ampla, eram cerca de seis mil sócios em 1996, mas a curva dos clubes sociais começou a mudar na passagem para os anos 2000. Transformações econômicas, novas rotinas de trabalho e outras formas de entretenimento foram reduzindo o sentido de manter grandes sedes urbanas, caras e subutilizadas. No caso do GLRL, a queda de associados aparece como sintoma: em 2001, segundo reportagem da Folha de Londrina, o número estaria em torno de 2.400, e a decisão de vender o imóvel da alameda Manoel Ribas foi justificada pelo alto custo de manutenção e pela estratégia de concentrar investimentos no espaço campestre. A agenda social, aos poucos, migrou junto.
Em 2012, diante de dificuldades financeiras, o GLRL passou a ser administrado pela Uninorte. No ano seguinte, em agosto de 2013, a Folha de Londrina noticiou que a sede campestre iria a leilão, encerrando, na prática, um ciclo em que o clube foi também um modo de cidade.
Fontes: Folha de Londrina / Acervo Londrina Histórica.
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