O Noel Nutels

1967


Inaugurado em 1967, no mesmo ano em que teve início a Faculdade de Medicina de Londrina, o Sanatório Noel Nutels nasceu para enfrentar um problema central da saúde pública brasileira no pós-guerra: a tuberculose. 

A escolha da cidade vinha de antes. No fim de 1949, a prefeitura comprou o terreno após ser informada de que Londrina havia sido definida pelo Ministério da Saúde para sediar um sanatório com capacidade para 250 pacientes, dentro da Campanha Nacional de Tuberculose. Quando finalmente abriu as portas, o Noel Nutels tinha 372 leitos, 122 a mais do que o projetado, distribuídos em quatro pavilhões. Dalton Paranaguá, então secretário estadual da Saúde, foi apontado como decisivo para a conclusão da obra.

O primeiro diretor foi o pneumologista Luiz Carlos Jeolás, que dividia sua atuação entre o sanatório e o Dispensário de Tuberculose instalado no Centro de Saúde. A maioria dos pacientes era de baixa renda e chegava em estado severo, muitas vezes exigindo intervenção cirúrgica. A equipe inicial reunia médicos, dentistas, assistentes sociais, profissionais de enfermagem, operador de raios X, farmacêutico-bioquímico, técnicos de laboratório, capelão e sete irmãs da Congregação Missionária Santo Antônio Maria Claret. Havia até uma rádio interna, que transmitia música, avisos, entrevistas e parte da programação da Rádio Alvorada. Grupos de teatro também se apresentavam para os internados.

Por um período, parte de uma ala do sanatório foi usada clandestinamente como escala de fuga para perseguidos pelo regime militar, sobretudo líderes sindicais com destino à Argentina e ao Paraguai. Só funcionários de confiança de Jeolás tinham acesso ao setor. A partir de 1975, com a tuberculose perdendo força no país, o sanatório cedeu a maior parte de suas instalações ao Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná. Quatro anos depois, foi desativado por ociosidade. 

Fontes: José Antônio Pedriali. Uma viagem através do tempo. Do pioneirismo à modernidade: evolução dos serviços médicos de Londrina. Londrina: Museu Histórico de Londrina, Unimed, 2021. / Acervo Londrina Histórica.

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