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1965

Em março de 1965, quem entrou no Cine Augustus para assistir a Os Reis do Iê-Iê-Iê não encontrou apenas um filme dos Beatles. Para alguns jovens londrinenses, aquela sessão praticamente apresentou um manual de como formar uma banda de rock.
A beatlemania começara a alcançar Londrina pouco antes. Segundo reportagem publicada pela Folha de Londrina em dezembro de 1997, escrita por Ranulfo Pedreiro para o Caderno 2, músicas do quarteto inglês já apareciam nas rádios locais em 1964. Mas havia uma diferença entre ouvir aquela música e conseguir reproduzi-la. Instrumentos elétricos eram caros, difíceis de encontrar e estavam muito distantes da realidade de muitos adolescentes.
O filme dos Beatles ajudou a simplificar a equação. O pesquisador Ricardo Abe observou à reportagem que a imagem de duas guitarras, baixo e bateria mostrava que não era necessária uma grande orquestra para produzir aquele novo som.
Um grupo chamado Os Inajás, que até então tocava música regional, começou a experimentar repertório dos Beatles. Os instrumentos acústicos, entretanto, não davam conta da mudança. A solução encontrada diz muito sobre aquele momento da cidade.
Ariovaldo Santos, o Vadinho, um dos pioneiros do rock londrinense, contou que os próprios músicos fabricaram guitarras no fundo do quintal. Ele teve a sorte de ganhar uma bateria. Como não conseguiram construir um contrabaixo, passaram a tocar com duas guitarras e bateria.
A precariedade não impediu a transformação. Logo surgiriam vários grupos e uma geração de jovens começaria a ocupar bailes, clubes, rádios e palcos da cidade.
A história das guitarras improvisadas revela algo maior do que a chegada de uma moda musical. Em uma Londrina que acabara de completar três décadas, jovens separados por milhares de quilômetros dos centros internacionais da cultura pop encontravam seus próprios meios de participar de uma transformação mundial. Quando o instrumento não existia, eles simplesmente tentavam construí-lo.
Fontes: Acervo Folha de Londrina / Acervo Londrina Histórica.
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