1929

Em agosto de 1929, Londrina ainda não tinha ruas, praças, edifícios ou sequer esse nome consolidado como cidade. O que havia era mata. A fotografia guardou justamente um dos momentos em que essa paisagem começou a mudar: a primeira derrubada de dez alqueires promovida pela Companhia de Terras Norte do Paraná no Patrimônio Três Bocas. A imagem foi feita por George Craig Smith, integrante da primeira caravana que alcançou a região.
A abertura da clareira fazia parte de um empreendimento muito maior. A companhia havia definido sua área de atuação entre os rios Paranapanema, Tibagi e Ivaí e adquirido extensas glebas para implantar um projeto de colonização baseado na venda de pequenas propriedades. Os lotes rurais deveriam ser estreitos e compridos, procurando oferecer acesso à água em uma extremidade e à estrada na outra.
Era preciso, porém, transformar floresta em território acessível. Em 2010, a revista Helena, publicação da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, contou que a primeira caravana atravessou o rio Tibagi de canoa e avançou por uma trilha dentro da mata. Quando o grupo chegou ao ponto escolhido para o novo núcleo, começou a abertura de uma clareira. As palmeiras encontradas no local serviram tanto como alimento quanto como material para as primeiras construções, feitas de palmito. O povoado inicialmente era chamado Três Bocas.
A fotografia ganha força justamente porque mostra Londrina antes da paisagem urbana que hoje reconhecemos. Não há avenida, quarteirão ou skyline. O que se vê é a intervenção humana começando a alterar um território coberto pela floresta.
Depois viriam as estradas, os lotes, os compradores de terras, os estabelecimentos comerciais e uma campanha publicitária que apresentava a região como oportunidade de prosperidade. A própria companhia venderia propriedades rurais com pagamento parcelado e investiria em infraestrutura para viabilizar o empreendimento.
Vista quase um século depois, a derrubada de agosto de 1929 permite enxergar algo que a cidade construída tornou difícil perceber: antes de Londrina crescer sobre a terra roxa, foi necessário primeiro abrir espaço dentro da mata.
Fontes: Revista Helena, nº 1, Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, 2012 / Foto: George Craig Smith, agosto de 1929, acervo Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss / Acervo Londrina Histórica.
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