Vender Londrina exigia entrar pela estrada de terra

1937


Na fotografia de 1937, Hikoma Udihara aparece de chapéu, acompanhado de compradores japoneses de terras, em uma estrada para Nova Danzig (atual Cambé) num trecho que hoje corresponde à região do Jardim Bandeirantes, em Londrina. A cena registra uma etapa pouco lembrada da colonização: antes de vender um lote, era preciso ir até ele.

Naquele período, a Companhia de Terras Norte do Paraná dependia de uma ampla estrutura de vendas para transformar um projeto de colonização em ocupação efetiva. Não bastava anunciar terras férteis. Era necessário convencer famílias a atravessar distâncias, conhecer a região, avaliar propriedades e imaginar uma vida nova num território ainda em formação.

Hikoma Udihara tornou-se uma das figuras centrais desse processo entre os imigrantes japoneses. A revista Helena, publicada em 2012 pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, relata que ele circulava pela região em um furgão identificado como o de “maior propagandista do Norte do Paraná”, usando sua própria presença como elo entre a companhia e possíveis compradores. Muitos japoneses confiaram em sua indicação e vieram para a região.

A presença japonesa em Londrina já havia começado alguns anos antes. Em 1930, um grupo de 11 japoneses, liderado por Udihara, comprou lotes rurais no município, totalizando 700 alqueires. A intenção inicial era plantar arroz, embora o café logo se mostrasse mais atraente economicamente.

A fotografia, portanto, não mostra apenas um corretor de terras e seus clientes. Ela revela como a colonização dependia de deslocamento, confiança e mediação pessoal. A venda da terra acontecia no caminho, na visita ao lote, na conversa e na capacidade de transformar mata e estrada em promessa de futuro.

Fontes: Revista Helena, nº 1, Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, 2012 / Foto: José Juliani, acervo Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss / Acervo Londrina Histórica.

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