O Chiclete com Banana começou na estrada

1982


Em 1982, três jovens atores de Londrina decidiram criar o próprio grupo de teatro. Mário Bortolotto, Lázaro Câmara e Edson Monteiro Rocha já haviam passado pelo Grupo de Teatro do Departamento de Cultura, dirigido pelo artista catalão Antonio Saperas. Daquela convivência nasceu o Chiclete com Banana, formação que anos depois daria origem ao Cemitério de Automóveis.

O começo esteve longe de qualquer estrutura profissional. As primeiras apresentações aconteceram fora de Londrina, numa pequena circulação por Uraí e Cornélio Procópio, com a peça Você Viu uma Azeitona por Aí?. Em Uraí, segundo lembrança posterior de Lázaro Câmara, o teatro estava bastante deteriorado e a estreia começou com um erro de fala que fez os próprios atores rirem em cena.

Em Cornélio Procópio, a precariedade ganhou outro capítulo. Sem ônibus para retornar e sem dinheiro para hospedagem, os integrantes acabaram passando a noite junto à réplica do Cristo Redentor existente na cidade. O episódio, recordado décadas depois por Bortolotto, ajuda a entender as condições em que aqueles jovens começavam a fazer teatro.

Em Londrina, o desafio não terminava no ensaio. Era preciso também encontrar público. Bortolotto recorda que Lázaro trabalhava em um banco e conhecia funcionários de várias agências. Os dois percorriam esses locais oferecendo ingressos para as peças. Em uma dessas mobilizações, conseguiram levar cerca de 150 espectadores ao Cine Teatro Ouro Verde para uma apresentação realizada às dez horas da manhã de um domingo.

As primeiras montagens incluíram ainda Pra Quebrar o Gelo e À Meia-Noite um Solo de Sax na Minha Cabeça. Com esta última, o grupo chegou a um festival nacional em Ponta Grossa, onde Bortolotto foi indicado pelo texto e Lázaro pela atuação.

Na foto, a formação do grupo em 1983. O Chiclete com Banana cresceu, incorporou outros atores e começou a circular por festivais. Em 1987, passaria a se chamar Cemitério de Automóveis.

Fontes: Gazeta do Povo, “30 anos de teatro, boêmia e rock”, reportagem de Sandro Moser, 2013 / depoimento público de Mário Bortolotto sobre Lázaro Câmara, publicado nio Facebook / Acervo Londrina Histórica.

Compartilhe

Inscreva-se

* respeitamos nossos inscritos, não enviamos spam.

Inscreva-se

* respeitamos nossos inscritos, não enviamos spam.

Cookies: nós captamos dados por meio de formulários para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.