1970

Nessa fotografia, a antiga Rodoviária de Londrina não é mostrada como monumento arquitetônico. Ela lembra o tempo de espera.
Sob a cobertura, dezenas de passageiros ocupam os bancos alinhados ao longo da plataforma. Alguns conversam, outros observam o movimento. Crianças permanecem junto aos adultos. Mais adiante, pessoas circulam entre os pilares enquanto um ônibus da Viação Ouro Branco aguarda junto à plataforma. Até os avisos de limpeza presos às colunas fazem parte daquela rotina.
Esse é um recorte diferente de uma história já bastante conhecida. A rodoviária da rua Sergipe foi inaugurada em 1952, projetada por João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, e décadas depois transformada no Museu de Arte de Londrina. Sua arquitetura modernista tornou-se patrimônio cultural brasileiro.
Mas, enquanto funcionou como terminal, o edifício existiu sobretudo porque milhares de pessoas o utilizavam diariamente. A localização ajudava a fazer da rodoviária uma extensão do centro comercial. O movimento de passageiros alimentava a rua Sergipe e suas lojas, enquanto a própria vitalidade daquela região reforçava a importância do terminal. Naquela época, chegar à cidade significava desembarcar praticamente dentro de uma de suas principais áreas comerciais.
A foto realça a rodoviária como um lugar de espera. E talvez seja justamente isso que dê força à imagem. Rodoviárias são lugares de passagem, mas também de permanência temporária. Durante minutos ou horas, desconhecidos dividem o mesmo banco, acompanham os mesmos ônibus, carregam malas, notícias, despedidas e expectativas.
O prédio permanece. Sua função mudou em 1988, quando a antiga estação foi desativada e iniciou-se o processo que a levaria a abrigar o Museu de Arte de Londrina.
Fontes: Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss / Acervo Londrina Histórica.
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