1970

A fotografia mostra trabalhadores na colheita manual de algodão em Londrina. O registro é provavelmente do período entre o final dos anos 1970 e o início dos anos 1980, quando a paisagem agrícola do Norte do Paraná passava por uma profunda transformação.
A mudança havia começado de forma dramática em 1975. A Geada Negra destruiu os cafezais e acelerou um processo que já vinha alterando as relações de trabalho no campo. Colonos e parceiros perderam espaço, muitas famílias deixaram as propriedades rurais e cresceu a presença do trabalhador temporário, o chamado boia-fria.
Nesse novo cenário, o café deixou de ser a única referência da agricultura regional. Culturas como soja, trigo e algodão ganharam espaço. O algodão, em particular, ainda dependia fortemente da colheita manual, criando demanda sazonal por grande quantidade de trabalhadores. A Folha de Londrina registrou justamente a relação entre a cotonicultura e o trabalho boia-fria no Norte do Paraná.
A atividade cresceu tanto que, na safra 1984/1985, o Paraná colheu mais de um milhão de toneladas de algodão em caroço, tornando-se uma potência nacional da cotonicultura naquele período. A produção paranaense dos anos 1980 e 1990 ainda era fortemente baseada na catação manual, antes da mecanização que transformaria o setor nas décadas seguintes.
É essa dimensão que torna a fotografia especialmente valiosa. Durante muito tempo, a memória rural de Londrina ficou associada quase exclusivamente ao café. Mas entre a decadência dos cafezais e a consolidação das lavouras mecanizadas, milhares de trabalhadores continuaram vivendo do campo em outras culturas, muitas vezes contratados apenas durante a safra.
O algodão fez parte dessa transição. Na imagem, homens e mulheres aparecem entre os capulhos abertos, protegidos do sol por chapéus e tecidos. Não vemos a Londrina dos grandes cafezais que construíram sua fama internacional, mas outra paisagem rural, a de uma região que precisou reorganizar sua produção e seu trabalho depois que o café deixou de comandar sozinho sua economia.
Fontes: Acervo Folha de Londrina / Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss / Acervo Londrina Histórica.
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