1980

A marquise do Café SET era uma das mais emblemáticas da avenida Higienópolis nos anos 1980 e 1990. O que mostra a foto, creditada à Folha de Londrina, era uma rotina nas noites londrinenses: gente subindo e descendo a escada, outros encostados na porta, fazendo do lado de fora já parte do programa. Com tanto movimento, mesas apertadas ocupavam o espaço aberto, facilitando os flertes e conversas. Rostos próximos, conversa alta, risos, paquera, e aquele ruído constante que não vem só da música, mas da mistura de vozes.
O Café Set faz parte da história da vida norturna de Londrina. Era um ponto quase obrigatório. Quem circulava por ali sabia que estar presente era uma forma de informação: ver quem chegou, com quem sentou, para onde foi depois.
O Set também carregava uma dimensão de palco. Bandas e músicos locais passaram por ali, e isso ajuda a explicar por que ele é lembrado como lugar de formação, não só de público, mas de cena. A música não entrava como trilha genérica, muitas vezes era evento. Diversas bandas da cidade tiveram a oportunidade de se apresentar ali. E, num tempo ainda sem as redes sociais, a reputação se fazia no ouvido e no “eu vi”. E o Café Set era, literalmente, um ponto de ver.
A lógica da comunicação era outra. Antes de mensagem instantânea, “torpedo” podia ser bilhete, enviado pelo garçom de uma mesa a outra. O flerte era visual e presencial; a resposta vinha pelo corpo: um sorriso, um gesto, uma ida ao balcão. Nessa economia sensorial, o Set tinha vantagem: era compacto, cheio, e a proximidade forçava encontros ou pelo menos cruzamentos.
Fontes: O londrinense / Foto: Folha de Londrina / Acervo Londrina Histórica.
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