Vitrine, letreiro e tombamento parcial

1970




A fotografia noturna recorta duas fachadas que se respondem pela luz. À direita, a vitrine envidraçada exibe o letreiro AUTOLON S.A. sobre uma sequência de esquadrias, com a transparência típica de showroom. À esquerda, a curva do volume do Cine Ouro Verde aparece iluminada. Os carros estacionados sugerem serem de meados dos anos 1960 ao início dos 1970.

A agência de automóveis no térreo do edifício Autolon operava com a lógica da modernidade à vista: vidro, interior aceso, exposição direta do consumo. A ficha de inventário do edifício Autolon no Patrimônio Histórico de Londrina registra que o edifício foi erguido no ciclo 1948–1951 e que intervenções posteriores alteraram elementos externos e acabamentos, encobrindo partes do revestimento original e modificando componentes da fachada. 

Ao lado, através do tempo, o cinema foi tratado de outra forma. A partir de 1978, esse palco muda de estatuto. Pela Resolução nº 451, de 7 de abril de 1978, a Fundação Universidade Estadual de Londrina autorizou a compra do Ouro Verde, com recursos do MEC e do Governo do Paraná, consolidando o nome Cine Teatro Universitário Ouro Verde.

E, em 8 de novembro de 1999, o Cine Teatro Ouro Verde foi tombado como patrimônio cultural do Estado do Paraná. Mas, esse tombamento não se estendeu automaticamente ao edifício Autolon. Assim, essa foto, vista hoje, vira um documento dessa assimetria: duas faces da mesma quadra, duas promessas de modernidade, e apenas uma delas convertida em bem protegido.

Fontes: Secretaria da Cultura do Estado do Paraná / Inventário Arquitetônico: Edifício Autolon (Prefeitura de Londrina) / Acervo Londrina Histórica.

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