Trilhos embaixo, concreto subindo

1950



A fotografia do início dos anos 1950 mostra Londrina em camadas. Em primeiro plano, na base, o pátio ferroviário: galpões paralelos aos trilhos e conjuntos de vagões alinhados, formando um desenho industrial bem legível. Acima dele, a cidade começa a preencher o quadro com casas, ruas e quadras ainda abertas. Surgem volumes maiores, e ao centro um deles, um edifício em estrutura aparente, chama atenção por estar em construção, com repetição de andares e a malha do concreto exposta.

Essa imagem é útil porque mostra a cidade enquanto ela ainda depende de um sistema de referência. O pátio não é só fundo: ele funciona como régua espacial. Tudo parece se orientar em torno dele: serviços, armazéns, deslocamentos e a ocupação que se espalha acima. Ainda não é uma paisagem de “centro consolidado”, mas já é um território urbano que trabalha: infraestrutura embaixo, crescimento acima.

No miolo à direita, a presença do prédio em obras concentra o sentido de transição. Trata-se do edifício Tóquio, localizado na rua Sergipe. Ao lado dele, aparece a então nova estação rodoviária projetada por João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, um equipamento moderno, inaugurado em 1952, que depois se tornaria o Museu de Arte de Londrina.

Ao fundo, mais acima, a igreja com torres pontua a linha do horizonte e ajuda a datar mentalmente a paisagem: é a antiga matriz que ainda domina o alto da cidade. E além dela, o limite da urbanização fica claro: o horizonte ainda é largo, com áreas verdes contínuas e poucos sinais de ocupação distante.

O que a foto registra, no fim, é um instante intermediário: ferrovia e pátio segurando a base logística; a cidade baixa ainda espalhada; e, ao centro, a ambição do “alto” começando a se materializar em concreto.

Fontes: Arquivo Folha de Londrina / Prefeitura de Londrina (Diretoria de Patrimônio – inventários e referências) / Acervo do Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss / Acervo Londrina Histórica.

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