1970

A verticalização em Londrina não foi obra de um único “ciclo” nem de um punhado de empresas onipresentes. Entre 1970 e 2000, os números mostram que, por trás dos 1.670 edifícios erguidos no período, aparecem 514 agentes diferentes. São construtoras, incorporadoras, investidores, grupos familiares e também instituições que construíram para uso próprio. Esse mosaico ajuda a entender porque a cidade cresceu em altura de um jeito tão rápido e, ao mesmo tempo, tão distribuído.
A base desse universo é formada por agentes que atuaram uma única vez. Cento e cinquenta construíram apenas um edifício. É um dado que muda a leitura do fenômeno: a verticalização não foi apenas “indústria”. Em parte, foi iniciativa pontual, projeto de oportunidade, investimento único. Nessa camada também entram empresas que levantaram prédios como sedes ou estruturas próprias, casos como o Banco do Brasil, o Colégio Positivo, a Embratel e a Copel. Nestas situações, a motivação principal não era multiplicar lançamentos, mas resolver um endereço e uma presença institucional.
No topo, um grupo pequeno concentrou escala. As 11 principais construtoras listadas (Brasília, Plano’s, Mavillar, Plaenge, Khouri, Dinardi, Cebel, Santa Cruz, Quadra, Artenge e Brastec) somavam 2,1% dos agentes, mas responderam por 46,1% da área construída. É a marca da especialização: quem tinha método, equipe e capacidade técnica repetiu mais, construiu maior e ocupou melhor os intervalos do mercado.
Entre esses dois polos, ficam os 353 agentes intermediários (construtoras médias, incorporadoras regionais e empreendedores) que entraram e saíram do setor conforme o momento. Juntos, eles compõem a metade “menos vistosa” do processo, mas talvez a mais reveladora: a verticalização como campo aberto, com muitos autores e muitos ritmos.
Na foto, o edifício Pioneiros do Café, construído pela Brastec, em 1986, pelo sistema de condomínio. Localizado na avenida Higienópolis, 1.100 (esquina com a avenida JK), possui 13 pavimentos de uso comercial, com área total de 5.541 metros quadrados.
Fontes: Dissertação de Viviane Rodrigues de Lima Passos. A verticalização de Londrina: 1970/2000 – a ação dos promotores imobiliários (UEL, 2007) / Prefeitura do Município de Londrina / Acervo Londrina Histórica.
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