2006

Depois da morte de Madre Leônia Milito, em 22 de julho de 1980, a casa onde ela havia vivido desde 1957 deixou de ser apenas uma residência religiosa. Aos poucos, passou a concentrar também a responsabilidade de preservar sua memória e a história da congregação que havia nascido em Londrina.
Durante anos, objetos pessoais, móveis e ambientes foram mantidos como ela os havia deixado. Permaneceram a mala de viagem, os pertences do quarto e do banheiro, o escritório, a biblioteca e a disposição de vários espaços usados no cotidiano. Essa conservação foi decisiva para que, décadas depois, a antiga Casa Berço pudesse ser transformada em um espaço museológico sem perder completamente a aparência de casa habitada.
A mudança começou de forma mais organizada em 2001, quando as irmãs passaram a residir no Instituto Coração de Maria. A partir daí teve início o processo de limpeza, catalogação e preparação dos objetos e ambientes. A proposta era criar um museu capaz de preservar a memória de Madre Leônia e, ao mesmo tempo, apresentar ao público a trajetória das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret.
A Casa da Memória foi inaugurada em 18 de março de 2006. A adaptação exigiu algumas mudanças: antigas clausuras foram unidas para formar um pequeno auditório, outros cômodos passaram a funcionar como secretaria, recepção e salas expositivas, e foi criada uma rota de visitação. Ao mesmo tempo, espaços considerados fundamentais foram preservados.
O quarto de Madre Leônia conserva a cama simples, uma pequena cômoda, imagens de família e objetos pessoais. No closet permanecem hábitos, sapatos, malas e a frasqueira levada por ela no dia do acidente. A cozinha preserva mesa, fogão e geladeira; a sala de jantar mantém móveis, louças e talheres; no escritório ficaram escrivaninha, cartas e uma biblioteca com centenas de títulos.
A transformação da Casa Berço em Casa da Memória, portanto, não apagou sua função anterior. Pelo contrário: procurou fazer da própria residência o principal documento.
Fontes: Boletim Especial Museu Histórico de Londrina, v. 17, nº 34, novembro/dezembro de 2024 / Acervo Londrina Histórica.
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